Tanto para a
prevenção de doenças cardio-vasculares, quanto para a melhoria da performance
física, a corrida ganhou destaque na última década.
A facilidade
e o baixo custo em se praticar esta modalidade esportiva faz com que, cada vez
mais, um número maior de adeptos dediquem uma ou duas horas ao dia em suar a
camisa, tanto em parques públicos, quanto nas ruas.
Fatores
O uso
cíclico das articulações do tornozelo, joelho, quadril e coluna vertebral, pode
levar à sobrecarga tecidual, lesionando ossos, músculos,tendões e
articulações.O desenvolvimento de lesões estará intimamente relacionado a
idade, sexo, tempo de treinamento e a fatores individuais, incluindo pouca
flexibilidade e encurtamento de grupos musculares, pisada pronada ou supinada,
joelhos em “x” ou arqueados, rotação inadequada de quadris, diferença de
comprimento dos membros e desvios de eixo da coluna vertebral.
Os pés do
corredor
Nos pés, os calcanhares são o principal local
de dor.Uma pessoa que possua pé plano e que corra na esteira com tênis muito
flexível e uma pessoa que possua um encurtamento muscular prévio da
pantourrilha estão sujeitas ao desenvolvimento da tendinite tibial posterior e
de Aquiles, respectivamente. A sobrecarga pode também atingir o coxim adiposo,
uma estrutura formada por tecido gorduroso localizada logo abaixo do calcanhar,
que tem, entre outras funções, servir como um “amortecedor” ao impacto inicial
dos pés na corrida.Um pé cavo, durante a corrida, tem maior propensão a
lesionar esta estrutura.Isso ocorre devido à menor área de apoio calcaneano e
conseqüente maior pressão puntiforme.Outra possível lesão é a distenção
musculoaponeurótica das estruturas que mantém o arco plantar e funcionam como
uma “mola” na fase de desgarramento do pé na corrida. Isso pode ocorrer de
forma aguda, como, por exemplo, em um treino sem alongamento prévio, ou de
maneira crônica, naqueles que correm além do limite suportado pelos tecidos.
O joelho do
corredor funciona absorvendo o impacto ao solo
O Joelho é, estatisticamente, a maior fonte
de dor dos corredores indoor e outdoor. Durante a corrida,quando o pé toca o
solo, o músculo Quadríceps da Coxa (aparelho extensor) atua como um potente
desacelerador através da chamada “contração excêntrica”, ou seja, o músculo
contrai e alonga-se, absorvendo energia. A musculatura pouco flexível,
encurtada e enfraquecida submetida à corrida ocasionará sobrecarga extra ao
Joelho, desenvolvendo, por exemplo, a tendinite do pólo inferior da Patela, ou
“Jumper Knee”, comum em homens e a hipertrofia da gordura de Hoffa, ou
“Hoffite”, comum em mulheres. Desalinhamentos pré-existentes entre o fêmur e a
tíbia, associados a pisada pronada e alterações rotacionais dos quadris levam a
alterações do trajeto de deslizamento da patela durante a flexo-extensão do
Joelho.Este aumento anormal e localizado de pressão pode levar ao “amolecimento”
da cartilagem retropatelar, a condromalacea, e a lesões por fricção excessiva
na região externa do Joelho, como a Síndrome de atrito Ileotibial. Ambas cursam
com dores e desconforto, obrigando, muitas vezes o esportista a parar de
correr.
De maneira
semelhante, nos quadris, o encurtamento muscular e alterações no ângulo entre o
colo e a diáfise femorais poderão levar a pontos de sobrecarga. A chamada
bursite do grande trocanter que, em geral traduz, no esportista, a tendinite do
músculo glúteo médio do quadril pode mimetizar uma dor ciática na região
lateral e posterior da coxa e ser extremamente incapacitante. Dores em região
púbica, desencadeadas na corrida, de evolução lenta, confundindo-se, muitas
vezes com hérnias musculares ou lesões do músculo reto abdominal, podem, na
verdade fazer parte da pubalgia crônica, lesão decorrente da sobrecarga na
sínfise púbica, submetida a trações cruzadas dos músculos abdominais e dos
membros inferiores.
Dores nas
costas são frequentes
A arquitetura da coluna vertebral é adaptada
para suportar os mecanismos de pressão. Os músculos lombares e ligamentos
funcionam como estabilizadores ativos e passivos, respectivamente. Os discos
intervertebrais, intercalados com os corpos ósseos das vértebras conferem
mobilidade e estabilidade e funcionam como verdadeiros “amortecedores” durante
a corrida, absorvendo energia pelo chamado mecanismo hidráulico. A corrida na
esteira, como atividade cíclica pode prejudicar este mecanismo e levar à
degeneração precoce dos discos intervertebrais, com ou sem herniações,
principalmente da região lombar, podendo levar à chamada lombalgia
discogênica.Outras lesões por micro-traumas na coluna vertebral incluem as
fraturas por estresse, mais comuns em mulheres portadoras de osteoporose e as
“apofisites”, lesões na placa de crescimento do corpo vertebral em adolescentes
ainda em crescimento.
O aumento
das curvaturas fisiológicas (hipercifose e hiperlordose) e curvas anormais
(escolioses), associados à tensão excessiva da musculatura extensora e fraqueza
dos flexores abdominais e cervicais podem levar à lombalgia e cervicalgia
mecânicas, respectivamente. São aquelas dores que, em geral, surgem um dia após
a corrida, sem motivo evidente e que, por mais que incomodem, são
auto-limitadas, respondendo bem à medicação e ao repouso.
Enfim, as
possíveis lesões que a corrida pode trazer são micro-traumáticas e de
desenvolvimento lento. Uma boa avaliação física, o acompanhamento do esporte
com profissionais de educação física especialistas na área são a pedra angular
de sua prevenção.
* O conteúdo
das informações deste site são meramente informativas e não substituem uma
consulta médica.*
17:54
Pedro Victor

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